Arquivo da categoria ‘Quando a razão perde a vez’

Xuá

Eu choro no banho

pra que pelo menos as lágrimas

não fiquem só.

Vetorial

Quanto maior é a minha dor

mais eu choro

pra dentro.

Só eu que não

Minhas certezas tomaram um susto.
Bambearam as pernas, perderam o chão.
Minhas certezas quase cairam,
mas levantaram.
Escaparam do medo,
da angustia
e da coitada
da
solidão.

Pecado

Como pode
o pecado todo
caber naquele pequeno espaço
de corpo?

O ritmo

À direita dançam as palavras.

Ao centro, eu

sem muita afinidade

com os tons da canção.

Sou solista na dança da saudade.

Saudade mata

Eu não sei explicar.
Quando você não está, eu mergulho em tudo que é seu.

Me cubro com suas roupas, seus lençóis. Respiro o mais fundo que posso tentando buscar no ar algum rastro do seu perfume. Eu me sento no sofá esperando você sair do chuveiro. Eu realmente acho que você está lá e, quando abrir a porta, vai vir aquele cheiro suave invadindo o corredor, a sala, eu.
Eu espero por você. E os meus dias são só isso: esperar por você.
Porque sem você o tempo é um desperdício contínuo de vida.
Sem você não dá.
A verdade é que eu me acabo quando você não está.

Consciência da inconsciência

É inconsciente.

Toda noite reservo

o seu lugar ao meu lado

na cama,

antes de dormir.

Consciente é a saudade.

Sou nós

Sou
só o que há de amor em mim
o resto
é só preenchimento.

Prazer. (inacabado. parte 1)

Contidos, leves e recursivos, os movimentos. A respiração ofegante no mesmo ritmo. Os braços se rendendo à tentação da cama.

Como pode todo o corpo tão molhado e a boca tão seca?

Uma vez ou outra os olhares se cruzam. Se cruzam as mãos. A pele nunca desgruda. A língua tenta molhar os lábios, que são mordidos de tempos em tempos. O ao redor parece não existir. Parecemos flutuar. Flutua minha mão pelo seu corpo. Flutua minha mente em você toda. Flutua você sobre mim. Os músculos vão perdendo a força, vem vindo a gargalhada. Os olhares se encontram. Os risos se encontram. Prazer. Os corpos em um mecanismo perfeito. Encaixes perfeitos.

O dia chama pela janela.

Contidos, leves, recursivos e hipnóticos, os movimentos. Os movimentos da boca, dos quadris, o movimento do suor deslizando no seu corpo e caindo no meu. Os movimentos dos sons sem nexo que saem da sua boca tão seca e vêm para o meu ouvido. Todo som é prazer. Todo movimento é prazer. Você é prazer.

Diálogo

- Você está com um olhar distante.. distante de mim.

- Não estou distante de você, é que quando estou triste, e me escondo no fundo de mim e o que se vê são esses olhos vazios…

- Não se preocupe, eu ainda estou em mim. E sem dúvidas, em você.

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