Arquivo | fevereiro, 2008

Segredo

28 fev

Bicho que se cria
dentro da gente
Quanto mais trancado
mais consome a jaula
[pobre inocente!
Mas se soltar o bicho
ele mata é todo mundo.

Troca de papéis

27 fev

Fui escrever que te amo
mas o papel me rasgou ao meio,
xingando
“ah, em minha branquidão,
não, não
tua solidão
aqui não entra”

Esquecer

26 fev

Fiz uma lista das coisas que me lembram você.
Pra lembrar do que esquecer.

Mania de Limpeza

26 fev

Limpei também
o coração.

Ao Tom.

26 fev

Como é áspero nosso amor. Ah sim, muito áspero.
Mas… Há textura que arrepie mais?

Moça prendada, menina morena que me chama no portão

22 fev

De que adianta
me dar tua rosa
se me entregas
com os espinhos todos?

Para sempre

22 fev

No papel, “para sempre” escrito de lápis.
Pode rasgar, vá lá, rasgue,
que mesmo partido no meio,
o para sempre
é para sempre.

Impermeável

21 fev

Impermeável que me tornei. Não há mar que faça onda ou chuva que umedeça minha alma agora já tão seca.

O mundo sem verbo

19 fev

Antes mesmo de o princípio ser o verbo, havia um mundo perdido numa galáxia perdida que não conhecia o tempo, lá tudo era eterno. E talvez por isso mesmo não houvesse o verbo. As criaturas desse mundo ou eram sempre felizes ou sempre infelizes, e mesmo as infelizes jamais questionavam tal situação, afinal, questionar não fazia parte da eternidade delas, que era, basicamente, ser infeliz. As pessoas felizes não questionavam por razões óbvias, elas se bastavam enquanto as infelizes sempre precisavam de algo a mais.
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19 fev

A pior coisa de amar quem escreve é não mais ser sua literatura. Ah, isso sim mata.