Arquivo | fevereiro, 2008

Em quatro palavras IV

17 fev

Teu
odor,
minha
dor.

Coincidência

17 fev

Que falta de coincidência!
queria que seu amor
tivesse encontrado o meu.

“Ai de mim que sobrevivo sem o coração no peito. / E ondes estás, amor perfeito?”

16 fev

Quando eu lhe pedi que guardasse bem meu coração, de imediato – porque chovia lá fora e lhe deu muito, muito medo do peso que poderia ter um coração encharcado – ela o tomou do meu peito e fez abrigo da sua jaqueta.
A chuva estiou. E de tanta pressa, ela foi embora levando ele aninhado por acaso junto ao seu.
Fiquei só no meio da rua: um silêncio denso preenchendo tudo, interrompido apenas pelos barulhos curiosos escutados quando todo mundo já foi dormir e você está acordado sozinho no meio d’uma madrugada intransponível.
No lugar do meu coração, um vazio daqueles que só nos dão os amores findados e os dias nublados, e a esperança que ela reviste suas roupas antes de jogá-las na máquina de lavar: quem sabe encontra a etiqueta que eu colei nele – sempre endereço tudo, em caso de perder – e pense em bater a minha porta, procurando amparo numa noite de procela… ou simplesmente para devolver aquilo que é meu.

(meu e dela.)

O que tem nela

16 fev

Minha escrita não tem forma,
nem som,
nem cor.
Tem só você
e essa dor enorme
que se chama amor.

Manifesto

14 fev

Eis aqui meu manifesto
meu protesto é contra
o desafeto,
fato
ainda que indiscreto

enquanto
seu gesto ingrato
vem a mim em disparato,
e só com um ato,
[falho
eu te faço apenas
resto
desse amor
indigesto.

É…

13 fev

Acho que essa minha falta de vontade de comer seja só o inconsciente tentando esvaziar o resto de mim. Onde você não pôde fazer por conta própria.

Despreparo

10 fev

Eu falo de amor, meu amor, por puro despreparo pra falar de outra coisa.

Não consegui terminar de escrever

10 fev

Sua voz e seu rosto me acalmavam como nada no mundo e hoje são as coisas que mais me desconsertam. Eu não gosto assim, não queria sentir isso com você. Queria conseguir te ver ou falar com você como qualquer outra pessoa. Eu queria que você fosse qualquer outra pessoa pra mim, para eu poder voltar a dormir, sonhar,

Faroeste VII

7 fev

E ela me encarava como um personagem de western, dizendo com os olhos ‘quero seu amor, vivo ou morto’.

A última frase do livro

4 fev

E, por falta de argumentos, eu amei você.