Arquivo | dezembro, 2010

Lembrei

30 dez

Lembrei daquela noite
em que você cantava Chico
enquanto eu chorava dores
do outro lado do telefone

Lembrei com um certo pesar
pois mesmo sendo Tatuagem
não senti na sua voz
nenhum trêmulo de amar

Lembrei ainda assim
de como você me fez crer
que era possível
até mesmo você gostar de mim

Lembrei daquela minha vida
que era minha e sua
e da sua, que de tantos outros era
menos minha

Lembrei qual era a razão,
o motivo da minha partida
e porque ainda não se fechou
a cicatriz dessa droga de ferida.

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Ocupação relativa

28 dez

Um vazio do tamanho do tudo
e do mesmo peso do nada
me invadiu o peito..
Fez minha carne dilacerada..

[Por favor, não deixe que ele tome o seu lugar dentro de mim.

É a última, mas morre

13 dez

Era uma vez uma linda moça que se chamava Esperança. Esperança tinha uma filha, a Expectativa. Elas eram bem unidas e, por conta disso, parecidas, mas a Expectativa tinha um lado marginal, ao contrário de sua mãe, que sempre foi uma pessoa de bem.

Esperança era uma mãe muito, muito dedicada, embora sua filha lhe desse um bocado de trabalho. Expectativa foi uma criança problemática, sempre causando tumultos por onde passava, e a medida em que foi crescendo, mimada pela Esperança, ao invés de aprender a causar menos confusão, ela piorou. Expectativa passou por inúmeros castigos na escola à, recentemente, uma detenção policial. E mesmo assim, sua mãe, cega pelo amor à filha, sempre a protegia.

Certa vez, Expectativa saiu de casa sem avisar sua mãe. Mentiu que ficaria estudando. Na hora do jantar, quando sua mãe foi chamá-la no quarto, não a encontrou. Esperança ficou desesperada, buscou sua querida filha por todo canto, pediu ajuda aos vizinhos, familiares e nada, não a achou em lugar algum. Quando era quase de manhã, resolver retornar a sua casa, ansiando o retorno de sua filha.

Horas depois, cochilando no sofá da sala, Esperança se assustou com o telefone tocando, mas rapidamente foi atender. Era da polícia e as notícias não eram boas. Expectativa havia se envolvido com pessoas erradas e por conta disso, teria sido assassinada. Foi um choque para Esperança, que custou a crer que falavam mesmo de sua filha. Jamais julgou que ela fosse capaz de andar com pessoas tão más. Esperança chorou até não conseguir mais respirar. Teve crises incontroláveis de desespero. Não demorou muito e foi internada. Caso clássico de depressão.

Esperança não suportava a ideia de não ter conseguido cuidar da Expectativa, havia falhado como mãe e não se conformava pelas más companhias de sua filha. “Como teria sido possível, se eu sempre estive lá olhando por ela? Como ela os conheceu sem que eu visse?” Ela se culpava e crucificava. Esperança foi lentamente deixando de fazer suas atividades, largou o trabalho, não saia do quarto, não tomava os remédios e deixou de comer.

Esperança precisava da Expectativa e, sem ela, não suportou a vida. Morreu de tristeza. Certo dia, enquanto olhava em prantos uma foto de Expectativa pequena, seu coração simplesmente parou de bater…

Nada se cria

10 dez

As coisas se transformam. Nós, por exemplo, somos hoje apenas lembranças…