Arquivo | dezembro, 2015

Seu olhar

29 dez

Eu poderia tentar recorrer à ciência
empuxo, força, vetor, física, até a química
nem assim explicaria
porque seus olhos me puxam e hipnotizam tanto.

Eu poderia também recorrer às artes plásticas
tons, cores, chiaroscuro, realismos, arte naif
ainda assim não explicaria
como é possível os seus castanhos olhos brilhem mais que o azul.

Eu poderia – e digo, tentei – recorrer à biologia
evoluções, fisiologia, moléculas, genética
mas nada, nada explica!
como é possível olhos tão pequenos serem tão enormes.

Já perto de desistir, tento a poesia
versos, métricas, lirismos, semiologia
nem aqui… nada explica! Que diabos!
Mas encontrei a licença poética
que me permite apenas dizer:
PUTA QUE PARIU
nesse
seu olhar.

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Seus olhos

9 dez

Ela não tem olhos azuis
tampouco verdes ou
quaisquer outras
cores complexas.
Eram castanhos.
E na simplicidade
do seu castanho
habita o infinito,
várias expressões
e sentimentos
que se revezam
quando um sorriso
ou uma tensão
ocupa os lábios.

As colinas

9 dez

Fico pensando em você
e me desconecto da TV
paro de ouvir o jornal
as notícias, o mundo,
a vida, que realidade,
tudo, coisa e tal.

Penso que você
também pense em mim
chegando quente, indecente
toda molhada e carente
ofegando e gemendo
no seu ouvidim.

E só aí
me vejo partir
me penso ao seu lado
ou com você por cima
ou por baixo
de mim.

Às vezes volto
e vejo aquele canal
sem graça, fútil, sacal
meu pensamento logo
combina essa rima
com algo pouco,
digamos, formal.

No próximo piscar de olhos
lá está você à minha frente
naquela lingerir vermelha
da foto, lembra?
Ousada, gostosa, envolvente.

Passo a contar os dias
até me realizar em você
anda logo, dias malditos
anda logo
que eu quero te ter.