Do alto

Da janela eu vejo as luzes da cidade. Sinto meus pés sobre o mundo.

Pecado

Como pode
o pecado todo
caber naquele pequeno espaço
de corpo?

Guarda o grito na gaveta

As pessoas machucam a gente tanto sem perceber que fica até aquele pensamento “será que ela realmente não vê o quanto isso acaba comigo?” Eu fico pensando se esse meu pensamento é excesso de empatia que tenho pelos outros  ou falta de empatia que têm por mim. Ainda não cheguei a nenhuma conclusão e sei também que qualquer conclusão que eu chegar não vai mudar em nada, porque eu não consigo ser mais fria do que acho que já sou e não existe a opção “forçar o outro a ser mais empático e sensível”.
Acho que consigo concentrar tudo que sinto no momento em uma única frase simples: crescer é triste. Cada responsabilidade que eu assumo, cada obrigação, direito, cada vez que eu me torno mais adulta eu me torno mais triste. E o pior não é isso, o pior é achar que isso só acontece comigo. Ao meu parecer as pessoas estão muito bem, crescendo, aceitando o “mundo novo” tão bem que os vejo abraçando esse mundo. SOCORRO!!! Será que ninguém vê que nesse mundo tem uma pessoa que não está se adaptando e precisa URGENTEMENTE de ajuda? Eu não sei mais como pedir ajuda, eu não sei ser mais óbvia do que dizer – Estou triste, me ajuda?. Olha, eu faço comunicação social e ainda assim não consigo enxergar maneira mais clara de pedir por socorro. Gente, eu não tou bem! E acredite, se estou dizendo isso assim, com essas palavras é porque eu realmente já não sei o que fazer. Morrer? Eu não quero morrer, gosto da vida, mas eu não quero continuar assim. Tristeza é ruim demais. Fugir? isso, como morrer,  implicaria em deixar as pessoas que eu mais amo tristes e eu não quero elas assim (empatia inevitável). E é aí que tá. Eu vejo que preciso estar bem pra deixar quem eu amo bem também, mas eu não consigo estar bem, não consigo. Não é mal criação, falta de vontade, rebeldia, não é. É falta de capacidade. Até o super homem tem sua vez de incapaz, deixe-o perto daquela pedrinha verde reluzente pra você ver.  Eu só estou tentando dizer é que não sei o que fazer, não sei o que dizer pra que as pessoas vejam que eu preciso de ajuda. De quem? Eu não sei, de quem quiser ajudar, de quem puder ajudar, sei lá!
Eu quero fugir. E morrer. Como já disseram, deveria existir na farmácia um metódo de morrer sem efeitos colaterais.. nos outros.
E como não há ainda, eu quero fugir e morrer de mim. Desse eu que se instaurou em mim. Desse mundo em que eu e mim nos instauramos. Não sei. Eu não sei. Talvez seja melhor este texto permanecer na gaveta.

TÉDIO

Não existe nada mais absoluto e sentencioso que o tédio.

O ritmo

À direita dançam as palavras.

Ao centro, eu

sem muita afinidade

com os tons da canção.

Sou solista na dança da saudade.

Proposta para nova reforma

Eu-líricos continuam separados depois da reforma.  Por que manter separada a alma do corpo do poeta?
Assim sendo, eulírico.

Por onde andam os meus poetas?

Os poetas não cansaram de poesia
tampouco do amor.

Cansaram apenas
de lamentar a dor
que uns fingem, outros sentem
e outros tem pavor
[de escrever.

Encomenda

Não faço rimas por encomenda.

Não é má criação,

é que também

não encomendo inspiração.

Estava pensando…

Acho que eu não estou pronta pro convívio social.

Todas as “obrigações” sociais me perturbam. Odeio fazer novas amizades, odeio fingir um sorriso. Odeio trabalhar porque odeio ter que dar bom dia às pessoas. Aliás, odeio ter que encontrá-las. Odeio as pessoas. Queria poder trabalhar em casa. Odeio ganhar presentes de quem não conheço e odeio ter que dá-los. Odeio ganhar presente – que não tem absolutamente nada a ver comigo – de quem eu não conheço. E odeio ganhar presentes – que não tem absolutamente nada a ver comigo – de quem eu conheço. Odeio ter que me mostrar pras pessoas, odeio ter que conhecê-las.

Não gosto dessa dinâmica “inerente” ao ser humano chamada SOCIABILIDADE. Por que dizem inerente se a cada dia que passa existem mais e mais pessoas com menos e menos vontade de se sociabilizar? E aquelas pessoas que se isolam em montanhas, clausuras e buracos a fora? A inerência não se aplica a eles por que?

Eu acho que não conseguiria viver numa caverna. Não porque preciso de socializar, mas porque eu gosto de máquinas, tecnologia. Gosto de tudo onde não preciso de uma pessoa. Se tiver energia elétrica na caverna, aí tudo bem.

Eu não sei tratar as pessoas que eu gosto também. As que eu não gosto é fácil, flui naturalmente. As que eu gosto eu me complico. Eu quero o bem, só o bem, mas não sei como chegar a isso. Ou se sei, é uma tarefa difícil pra mim. Ainda que eu me esforce e eu me esforço muito.

Eu não entendo como algumas pessoas têm facilidade pra lidar com gente. Eu não sei. Eu não sou uma leitora de pessoas. Se as pessoas me dizem que estão bem, eu acredito, se dizem que estão mal, eu acredito. Eu não enxergo entrelinhas. Aliás, mal enxergo as linhas.

Será que existe algum tipo de óculos pra isso?

Queria que as pessoas fossem como os programas de computador atuais: interface simplificada, teclas de atalho, notificações e avisos diretos, ferramentas exemplificadas com desenhos, página de ajuda com busca avançada e o indispensável Ctrl+Alt+Del, em caso de desespero. E não poderia deixar de mencionar o botão liga/desliga.

Esse botão eu também iria querer em mim.

O fato é que não sei e não consigo ser mais sociável. Estou no meu limite. E isso não é questão de aprendizagem, é INERÊNCIA. Alguns a tem positivamente, outros simplesmente não.

Astronauta

A estrada te espera
e s t r a t o s f e r a

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